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Com crescimento de 11,6% em 2024, o mercado de soluções de gestão empresarial atingiu US$ 5,6 bilhões no Brasil, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Software. Só no setor de tecnologia da informação (TI), o país investiu US$ 58,6 bilhões, liderando o ranking de investimentos na América Latina.
Os sistemas de planejamento de recursos empresariais, conhecidos como ERP, estão entre as tecnologias que impulsionaram a expansão do mercado de soluções de gestão empresarial. A demanda é oriunda, sobretudo, do processo de modernização vivido pela indústria nacional.
Uma das pesquisas de inovação (Pintec) realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 89,1% das empresas industriais com cem ou mais funcionários utilizam, pelo menos, uma tecnologia digital avançada.
“As empresas passaram a usar o sistema ERP não apenas para registrar informações, mas para gerar inteligência operacional”, avalia o engenheiro e sócio da Nomus, Thiago Leão. “Isso se traduz em processos mais enxutos, prazos menores e decisões baseadas em dados.”
A International Data Corporation (IDC) registrou um aumento médio de 18% na eficiência operacional após implementações de sistema ERP para indústrias. A produtividade dos funcionários melhorou 16%, enquanto a precisão no controle de estoques avançou 25%.
Painéis integrados eliminam até 25% de atividades repetitivas
Na prática, os sistemas ERP funcionam como um radar: emitem alertas automáticos e geram relatórios detalhados que ajudam a evitar erros operacionais. Os painéis integrados mostram aos gestores, em tempo real, a situação de custos e margens.
Segundo a Touch Comp, a automação pode eliminar até 25% das atividades redundantes. Em implementações bem-sucedidas, o ganho de eficiência chega a 30%.
Outro diferencial está na integração. Com compras, vendas, operações e finanças operando sobre a mesma base, a velocidade de resposta aumenta, e esse fluxo constante de informação entre departamentos pode fazer a diferença em termos de competitividade.
Indústria 4.0 chega às pequenas e médias empresas
A Indústria 4.0, antes restrita a grandes corporações, está mais acessível para pequenas e médias companhias, conforme informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Soluções como o uso de Internet das Coisas, computação em nuvem e sistemas de execução de manufatura apresentam custos mais baixos e implementação simplificada.
Cerca de 30% dos investimentos em sistemas de gestão empresarial no país já são destinados a plataformas on-line, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). A tendência é global, como observado na pesquisa da Data Bridge: o mercado de ERP “em nuvem” deve saltar de US$ 51,4 bilhões em 2024 para US$ 123,9 bilhões em 2031.
Para os gestores, a recomendação é considerar que as implementações demandam tempo e recursos. Nesse processo, um guia do ERP para indústrias pode facilitar a definição de etapas. Projetos em grandes companhias duram entre 18 e 24 meses, com custo médio superior a R$ 25 milhões, segundo relatório da Kearney e Rimini Street.
O excesso de adaptações personalizadas no software é o principal obstáculo na adoção de sistemas de gestão, segundo 64% das empresas ouvidas pelo estudo. Outros 43% reclamam da quantidade de programas auxiliares que precisam funcionar junto com o sistema principal.
Perspectivas: setor de TI em expansão
Com o investimento de US$ 58,6 bilhões em TI no ano passado, o Brasil registrou 0 crescimento de 13,9% sobre 2023, acima da média global de 10,8%. Os dados, divulgados pela ABES mantêm o país na décima posição mundial e na primeira na América Latina.
A ABES estima crescimento de 9,5% para o setor de tecnologia da informação em 2025, taxa superior à média global de 8,9%. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada projeta expansão de 2,3% para o PIB industrial no mesmo período.
No segmento de softwares corporativos, a consultoria Fortune Business Insights projeta que o mercado global de ERP atinja US$ 229,79 bilhões até 2032.
Thiago Leão avalia que empresas que estruturaram bem suas operações com ERP já colhem ganhos claros de produtividade e competitividade. “O futuro do ERP está no modelo composable, em que o sistema deixa de ser uma plataforma única e rígida e passa a funcionar como um ecossistema conectado, integrando soluções especializadas conforme a necessidade de cada indústria.”
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