Cresce movimento slow fashion com foco em qualidade e durabilidade

 

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O movimento slow fashion vem ganhando espaço nos mercados global e nacional, impulsionado por consumidores que valorizam a durabilidade, a qualidade e a transparência na cadeia produtiva. Segundo levantamento da Verified Market Reports, o segmento foi avaliado em US$ 8,25 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 16,3 bilhões até 2033. 


De acordo com informações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae), o conceito é traduzido como “moda lenta” e propõe que as marcas valorizem cada etapa do processo de produção, desde a escolha dos insumos até a venda, priorizando produtos duráveis e confeccionados por meio de práticas ecologicamente responsáveis. 


Esse novo olhar reforça a importância de investir em roupas básicas de qualidade, que sejam feitas para durar e atravessar estações, na contramão do consumo acelerado do chamado fast fashion, sistema baseado em grandes escalas de produção e custos reduzidos com mão de obra e matéria-prima.


O Sebrae chama atenção para o volume de descarte gerado por esta “moda rápida”: a cada minuto, um caminhão de lixo cheio de roupas é incinerado ou enviado a aterros sanitários, quantidade suficiente para encher um prédio de 100 andares por dia. Além disso, a produção de uma única camiseta de algodão demanda cerca de 2,7 mil litros de água, o equivalente à hidratação de uma pessoa por dois anos e meio.


Dados divulgados pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) revelam que o Brasil produz cerca de 6 bilhões de peças de vestuário por ano, o que equivale a 28 itens por habitante ou 190 peças por segundo. Globalmente, a geração de resíduos têxteis já ultrapassa 92 milhões de toneladas anuais, sendo o país responsável por, aproximadamente, 4 milhões desse total.


Para a empresária e cofundadora da My Basic, Carolina Pucci, o slow fashion é uma resposta às consequências ambientais e sociais de um modelo em que as tendências surgem e desaparecem com facilidade, junto da produção desenfreada de peças feitas para durar poucas lavagens. “Já o movimento slow busca justamente o oposto: coleções atemporais, com peças que tenham maior durabilidade tanto no que se refere à qualidade da matéria-prima usada na confecção, quanto esteticamente, com seus designs e cores.”


Ela explica que roupas que combinem com uma variedade de peças, como uma calça básica feminina, podem ser confeccionadas em tecidos resistentes e com cortes clássicos. Assim, não há necessidade de substituições constantes.


"Esse movimento está crescendo porque as pessoas estão mais preocupadas com as roupas que consomem. Estão interessadas na matéria-prima em que foram confeccionadas, na sua durabilidade, se foram produzidas más condições de trabalho e se atingem de forma negativa o meio ambiente”, acrescenta. 


A percepção da empresária é reforçada em pesquisa realizada pela Koin, que aponta que 87,5% dos consumidores brasileiros preferem comprar roupas de marcas que adotam práticas sustentáveis. Entre os principais influenciadores dessa escolha estão: tecido (31,1%), origem dos materiais (18,6%), forma de produção (12,4%), apoio a causas sociais e ambientais (11,2%) e práticas de reciclagem e logística reversa (4,3%).


Apesar do avanço do movimento, Carolina acredita que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que o slow fashion esteja consolidado na consciência dos consumidores e dos fashionistas. Para ela, a cultura do consumo rápido ainda é predominante, e o apoio de grandes designers não consegue impedir a expansão das grifes de fast fashion pelo mundo. 


Empreendedores também ganham ao aderir ao movimento

Segundo o Sebrae, aderir ao slow fashion é vantajoso para todos, incluindo o microempreendedor. Além de agregar valor ao negócio, o movimento estimula práticas que reduzem custos e fortalecem economias locais.


Entre as oportunidades destacadas estão a logística mais sustentável, com menor dependência de combustíveis fósseis e valorização de fornecedores regionais; o reaproveitamento de insumos, que contribui para a diminuição de resíduos e desperdícios durante a produção; e o incentivo à inovação, por meio da busca por matérias-primas sustentáveis e tecnologias menos agressivas ao meio ambiente


A Serasa Experian reforça que, ao adotar esse modelo, as empresas do setor ganham vantagem competitiva em um mercado muitas vezes saturado, pois são posicionadas como empresas inovadoras e alinhadas às demandas atuais.


Para aplicar esse conceito dentro dos negócios, o Sebrae recomenda adotar práticas como estimular a economia circular, reutilizando sobras de tecidos, evitar desperdícios ao longo da cadeia de produção e usar materiais com boa durabilidade.


Também estão entre as orientações reduzir as emissões de carbono, optando por fibras recicladas, transportes sustentáveis e embalagens recicláveis, assim como implementar a logística reversa, enviando roupas indesejadas para organizações filantrópicas ou sobras de retalhos para empresas têxteis que realizam o desfibramento de peças.


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