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ONG usa limão para cortar gosto do crack e ajudar a recuperar usuária



A polícia reforçou a segurança em torno da Praça Princesa Isabel no Centro de São Paulo, onde nesta quarta-feira dois traficantes foram presos. A praça virou uma nova cracolândia depois que o quarteirão da Alameda Dino Bueno foi retomado pela Polícia Militar – vinte dias atrás.
Desde então, o vício do crack virou o principal assunto da cidade. Se livrar das drogas é muito difícil, mas existem algumas experiências que estão dando bons resultados.
Em uma casa na Rua Marquês de Olinda, no Ipiranga, usuárias de crack moram – e se tratam. É o projeto da ONG Família Crack Zero.
Ao longe de sete anos de trabalho, 680 dependentes já passaram pelo Família Crack Zero. Segundo a ONG, 35% foram recuperados. Isso significa que eles ficaram no mínimo um ano e meio longe das drogas. O tratamento dura em média oito meses. Para sair da casa para ver a família ou fazer algum curso, só acompanhada.
Um dos ingredientes importantes para o tratamento é o uso do limão. As moradoras usam limão para cortar o sabor da droga na boca.
“Esse limão na minha vida é importante há um ano, há um ano tô conseguindo combater o paladar da droga. A gente chupa um limão, toma um café, se foi o gosto, se foi a abstinência. E isso tá me mantendo limpa faz um ano. Já fiquei em clínica, era tratada com remédios, eu precisava ser amarrada e o remédio não continha… e eu queria voltar pra rua… e aqui eu descobri o limão e tô limpa há um ano. O limão corta o sabor da droga na boca. Quando corta é o espaço que tem pra conversa e você fala ‘ufa, consegui mais um dia sem crack’. Estou há um ano sem a droga. “
Luciano Celestino da Silva, empresário e presidente da Associação Área de Direito da Cidadania, diz que o modelo do projeto é “uma simples casa, um simples modo familiar, uma vontade de que eles cresçam”. “Faz essa forma de recuperação ser facilitada com menos gastos e com mais facilidade de lidar com o ser humano. Hoje o recurso vem de uma empresa que eu tenho. Fazemos entrega de cosméticos dentro da comunidade, tem os parceiros de outras entidades e tem ajuda de todos. Na verdade, a gente acaba sendo um grupo, né. Temos padaria que fazem doação de pães, temos as pessoas que traz alimento. “


Marlene Fernanda da Costa Silva diz que “se não fosse esse ambiente familiar não seria o crack zero. Que a gente é família. O que a gente não tem na rua, né? A união.”
Ana Paula é mãe de gêmeos. “Quando que cheguei aqui, eu não queria nem falar que eu estava grávida… se eu procurasse a minha mãe eu não sei se daquele jeito ela teria me acolhido. Eu tenho um 1,70 m e eu estava pesando 49 kg. E eu já tô pesando hoje 70 kg. Eu tava muito fraca…”
Ela diz que o diferencial dessa casa “é o amor”.” É o amor. Porque na vida sofrida da rua, esse sentimento não existe. A gente só tem amor pela droga. “
E quando bate aquela vontade de usar a droga, Ana Paula explica o que os moradores da casa fazem: “A gente toma o limão porque o limão ajuda naquela hora assim, sabe? Que você tá tremendo, com vontade, nervoso, chorando, você toma, não dá dez minutos e você melhora. Aí você toma um pouquinho de café e conversa. Porque não adianta eu me dopar de remédio, porque eu tenho que limpar a minha mente da droga.
Fonte: G1

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